A pergunta errada: “qual o carregador mais rápido?”
É a primeira pergunta de quase todo cliente. E é a pergunta errada. A correta é: quanto tempo o veículo fica parado no local?
Um carro que passa dez horas na garagem de um condomínio não precisa de carregador DC de 50 kW. Um veículo que para vinte minutos em um posto de rota não se resolve com wallbox de 7 kW. O equipamento correto é aquele que entrega a energia necessária dentro da janela de permanência — nem menos, nem muito mais.
Wallbox AC: o padrão para permanência longa
Carregadores AC (corrente alternada) tipicamente operam entre 7 kW e 22 kW. Usam o carregador interno do próprio veículo, o que limita a potência efetiva — muitos veículos aceitam apenas 7 kW ou 11 kW em AC, independentemente da capacidade do wallbox.
- Onde faz sentido: condomínios, empresas, frotas com recarga noturna, estacionamentos de longa permanência.
- Vantagens: custo de equipamento e de infraestrutura muito menor, menor impacto na demanda, instalação mais simples.
- Atenção: verificar a potência máxima aceita em AC pelos veículos que realmente usarão o ponto.
DC rápido: para permanência curta
Carregadores DC (corrente contínua) alimentam a bateria diretamente, contornando o carregador interno do veículo. Entregam de 25 kW a mais de 150 kW.
- Onde faz sentido: shopping centers, corredores de rota, operações comerciais de recarga, frotas com giro intenso.
- Custo real: além do equipamento, exige infraestrutura robusta — alimentador de grande seção, proteções específicas e, frequentemente, aumento de demanda ou subestação.
- Impacto elétrico: um único DC de 50 kW equivale, em demanda, a vários apartamentos.
Conta que costuma surpreender: em muitos empreendimentos, o custo da infraestrutura elétrica para viabilizar um DC rápido supera o custo do próprio carregador. É por isso que a especificação precisa vir depois do estudo técnico — nunca antes.
Os seis critérios que usamos na especificação
- Perfil de utilização e tipo de veículo — o que o veículo aceita de fato.
- Tempo disponível para recarga — a janela real de permanência.
- Potência elétrica disponível — o limite imposto pela instalação.
- Expansão futura e balanceamento de carga — quantos pontos no cenário de cinco anos.
- Gestão inteligente de energia — deslocar a recarga para fora do pico.
- Melhor relação custo-benefício — considerando equipamento, obra e custo fixo de demanda.
Um exemplo prático
Condomínio com folga de 40 kW na madrugada e oito interessados em instalar ponto de recarga.
Solução A: oito wallboxes de 22 kW = 176 kW de potência nominal. Exigiria reforço de entrada e aumento expressivo da demanda contratada.
Solução B: oito wallboxes de 7,4 kW com gerenciamento de carga limitado a 40 kW. Todos os veículos carregam durante a noite, dentro da capacidade existente, sem obra de reforço. Em dez horas, 40 kW distribuídos entregam energia mais que suficiente para o uso diário urbano típico.
A solução B custa uma fração da A e resolve o mesmo problema. Esse é o valor de especificar com base em engenharia, e não em catálogo.
E a recarga com energia solar?
Quando há geração fotovoltaica, o projeto pode integrar a recarga à produção solar, priorizando o consumo da energia gerada no local. Isso reduz custo operacional e melhora o retorno do investimento — especialmente em empresas, cujo pico de geração coincide com o horário em que os veículos estão estacionados.